No nascer do sol parece até calminho, mas não é a toa que chamam de Mar do Norte esta praia em Rio das Ostras, a casa de praia do Ikara.
O Ikara se
criou como regateiro sempre acostumado a ser montado no seco sobre a rampa de
um bom clube e com saídas em águas seguras aos cuidados dos organizadores de
prova.
Mas a coisa
mudou e hoje o Ikara está vivendo os anseios de um cruzeirista, onde a natureza
é que dita as regras, bastando apenas a adaptação como recurso.
A praia do Mar
do Norte nunca se preocupou em dar espaços para a vela. Sua pendente é
acentuada e a orientação da costa com o vento predominante (NE) não favorecem a
montagem do barco.
Antes de montar
o barco é necessário puxa-lo (pela praia de areia fofa!) até um local próximo a
arrebentação e de preferência de baixa inclinação e longe de crianças e outros
curiosos.
A calmaria do
galpão do clube é esquecida quando a vela é amarrada à retranca. Um pouquinho
de vento já é suficiente para jogar a retranca para lá e para cá pondo em risco
a vida dos tripulantes.
Mas o dia está
lindo e o vento parece bom para uma grande velejada, continuamos.
Vamos para
água!!
Bom e a regra
de que “velejador não molha a canela” vai para o espaço na primeira tentativa
(sempre terá mais de uma tentativa..).
O macete é esperar a “série” passar e
encarar uma ou duas marolas.
O proeiro sempre vira “popeiro”, tendo que empurrar
o barco até passar a arrebentação. Até ele não dar mais pé e quem comanda o leme
sobe rápido e tem a preferência da velejada, mas terá que retornar para resgatar o proeiro, que fica nadando.
Se na segurança da
rampa do clube a ansiedade da velejada já proporcionava esquecimentos, a empreitada na praia
é muito maior e a responsabilidade de sair com todo cabeamento e amarração é
muito mais importante, pois não será fácil retornar.
Finalmente na
água, com proeiro e tudo mais, agora é só aproveitar, porque a velejada será
bacana.
Velejando para Sul, as várias praias de enseadas mostrarão a beleza
local e os picos de mergulho. Em bons ventos de NE a curtição é se jogar na
água e ser rebocado.
Para o Norte a
brincadeira é velejar surfando próximo as pedrinhas e a laje. Ainda
vale a tentação de chegar ao arquipélago de Santana, mas isso é água para outra
hora...
BVs



