Pulando alguns capítulos dos bons ventos do Ikara...
Chegamos a realização de um dos sonhos deste humilde barquinho: A
velejada no Mar de Dentro.
Fui dormir antenado na previsão do tempo. Era a mais
positiva para se experimentar um local desconhecido, ainda mais quando este
local é “A maior lagoa costeira da América do Sul”.
O previsto era uma brisa leve as 8h da manhã,
tradicionalmente intensificando até uns 9 nós as 10h. tempo bom, céu aberto e
calor.
Acordei e fui ver o resultado da previsão. Bom, os
“doldrums” haviam mudado de latitude. As folhas do cinamomo na frente de casa
nem se mexiam.
Dessa forma, quem mandou foi a preguiça, que ganhou campo e voltei pro sofá...
Dessa forma, quem mandou foi a preguiça, que ganhou campo e voltei pro sofá...
Dez horas me chega o gaudério, na pilha: “Eae?! Vamos
velejar?? Arrumou o barco pra que??”.
“É não sei...”a preguiça já tomava conta. Mesmo assim
levantei e a pilha do cara contagiou.
Lá vamos nós!!
E fomos... em 10 minutos estávamos no meio da rua, carregando
o dingue.
Caminhamos...
Caminhamos...
Caminhamos...
A vontade de pôr o barco na água nos fez antecipar sua
entrada e fomos pela areia fofa mesmo. A emoção teve seu preço...
O teste do carrinho estava indo muito bem até ali. Entramos
bastante na areia fofa, mas as rodas de carrinho de mão afundavam bastante.
Para ajudar, levantei a popa do barco e seguimos empurrando até uns 20 metros
da margem, quando lá o suporte direto do carrinho rebentou os rebites de
sustentação e atolamos...
Olhei pro carrinho, olhei para a margem, o gaudério me olhou
e eu disse: “Puxa assim mesmo, depois a gente resolve isso”. Agora, tão perto
da margem, eu quero velejar!!

Na minha concepção o carrinho estava inacabado, então uns
rebites a mais não fariam perdermos a viagem.
Tiramos o casco do carrinho e empurramos até a água.
Finalmente chegando lá a montagem foi rápida e em poucos
minutos estávamos velejando. No meio da montagem do barco vimos que a brisa ainda dominava e o vento era pouco, mas como a caminhada foi longa, continuamos mesmo assim.
A calmaria seria um bom teste para o gaudério de primeira
viagem ver como funcionam aqueles montes de cabos e amarrações.
Acho que ele curtia, eu dizia: “Dá um nó direto” e ele: “isso é nó cego ao contrário!?!”...
“Agora um lais-de-guia” e lá vinha ele: “Mas isto é um nó de
soga!!”...
(Pra quem não sabe o que é um nó de soga ou quer aprender um
lais-de-guia clica no nó)
Traduzindo pro dicionário bagual, a coisa passou rápida e não tivemos problemas para encilhar o Ikara.
A saída foi bem tranquila, não tinha vento! Uma vez lá que
outra uma rajadinha animava a tripulação.
No fim da brincadeira até que teve um ventinho bobo, mas o
que predominou naquele dia foram as
calmarias...
Por fim uma chegada tranquila na margem e o batismo da LP
derrubando o capitão.
Feito o feito, resta agora aguardar a próxima.
Enquanto isso... Caminhamos...


