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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Quack Lagoon!!

Pulando alguns capítulos dos bons ventos do Ikara... Chegamos a realização de um dos sonhos deste humilde barquinho: A velejada no Mar de Dentro.

Fui dormir antenado na previsão do tempo. Era a mais positiva para se experimentar um local desconhecido, ainda mais quando este local é “A maior lagoa costeira da América do Sul”.

O previsto era uma brisa leve as 8h da manhã, tradicionalmente intensificando até uns 9 nós as 10h. tempo bom, céu aberto e calor.

Acordei e fui ver o resultado da previsão. Bom, os “doldrums” haviam mudado de latitude. As folhas do cinamomo na frente de casa nem se mexiam.

Dessa forma, quem mandou foi a preguiça, que ganhou campo e voltei pro sofá...



Dez horas me chega o gaudério, na pilha: “Eae?! Vamos velejar?? Arrumou o barco pra que??”.

“É não sei...”a preguiça já tomava conta. Mesmo assim levantei e a pilha do cara contagiou.

Lá vamos nós!!

E fomos... em 10 minutos estávamos no meio da rua, carregando o dingue.



Caminhamos...



Caminhamos...



Caminhamos...




A vontade de pôr o barco na água nos fez antecipar sua entrada e fomos pela areia fofa mesmo. A emoção teve seu preço...

O teste do carrinho estava indo muito bem até ali. Entramos bastante na areia fofa, mas as rodas de carrinho de mão afundavam bastante. Para ajudar, levantei a popa do barco e seguimos empurrando até uns 20 metros da margem, quando lá o suporte direto do carrinho rebentou os rebites de sustentação e atolamos...

Olhei pro carrinho, olhei para a margem, o gaudério me olhou e eu disse: “Puxa assim mesmo, depois a gente resolve isso”. Agora, tão perto da margem, eu quero velejar!!



Na minha concepção o carrinho estava inacabado, então uns rebites a mais não fariam perdermos a viagem.

Tiramos o casco do carrinho e empurramos até a água.

Finalmente chegando lá a montagem foi rápida e em poucos minutos estávamos velejando. No meio da montagem do barco vimos que a brisa ainda dominava e o vento era pouco, mas como a caminhada foi longa, continuamos mesmo assim.

A calmaria seria um bom teste para o gaudério de primeira viagem ver como funcionam aqueles montes de cabos e amarrações.

Acho que ele curtia, eu dizia: “Dá um nó direto” e ele: “isso é nó cego ao contrário!?!”...

“Agora um lais-de-guia” e lá vinha ele: “Mas isto é um nó de soga!!”...



(Pra quem não sabe o que é um nó de soga ou quer aprender um lais-de-guia clica no nó)

Traduzindo pro dicionário bagual, a coisa passou rápida e não tivemos problemas para encilhar o Ikara.

A saída foi bem tranquila, não tinha vento! Uma vez lá que outra uma rajadinha animava a tripulação.




No fim da brincadeira até que teve um ventinho bobo, mas o que predominou  naquele dia foram as calmarias...



Por fim uma chegada tranquila na margem e o batismo da LP derrubando o capitão.



Feito o feito, resta agora aguardar a próxima.

Enquanto isso... Caminhamos...





quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Rumo Sul



Esperamos anoitecer, para que a rodovia ficasse mais tranqüila e vazia e, mesmo ainda cansado, partimos. A idéia era evitar passar em São Paulo de dia. Tínhamos 3,5h até o Rio e umas 6h até Sampa. O calculo das horas já não estava tão ao nosso favor...
Sem muito transito, fui bem devagar até a BR. Desliguei o som do carro para ouvir os barulhos que faziam as amarrações e, concentrado, acompanhar o comportamento do barco. Desde ali eu já percebia que teria que ter bastante paciência e manter uma velocidade bem baixa durante todo o percurso.
Mesmo assim, o primeiro caminhão que cruzou por mim me fez relembrar isso a viagem inteira...
Mesmo eu andando a 60 km/h, o primeiro caminhão que passou por mim em sentido oposto, fez um deslocamento de ar imenso!! A proa do Ikara, sobre o pára-brisa, pareceu um trampolim de piscina balançando e chegaou a deslocar o Ikara da posição central do eixo longitudinal do carro. Foi o primeiro teste para as cintas, que agüentaram firmes.
Esta foi a primeira parada para ajustes dos cabos. A partir daí, minha velocidade não passou dos 60 km/h e toda a vez que um caminhão ou ônibus vinha em direção contrária, eu levava o carro para o limite da pista e o acostamento, evitando assim sofrer a pressão do deslocamento de ar.

Fig1. Os queridos caminhões
Não é porque esta viagem tinha que ser feita, que foi fácil e tranqüila. Dois mil km já são um desafio quando se tem a liberdade para acelerar, agora, com um barco no teto e a 60 km/h não é nada fácil. Haja paciência...
Mas aí entra a diferença entre o regateiro e o cruzeirista, um vive a partida/chegada e o outro vive o percurso.

 
Fig2. A sombra do Ikara em algum lugar da BRiói...
Eu tinha as limitações de uma regata: tinha ponto inicial, ponto final, pontos a alcançar, querendo fazer em menor tempo, etc.
Mas fiz a viagem como um cruzeirista, bem tranqüilo, aproveitando a vista. Parei quando quis parar, ajustei as amarrações, fiz minhas previsões, analisei mudanças na rota, etc. Aproveitei a indiada!
Acabei por não fazer nenhuma mudança no planejamento, mas tive a liberdade de poder fazer e isto é a grande vantagem do cruzeirista.

Fig3. Paradouros.
Assim como na ida do Rio para Rio das Ostras eu queria ter feito o percurso navegando, fiz até um plano, seria genial fazer esta ida por água, loucura?
Mas como não deu, injuriado, passei a viagem toda pensando nos locais que eu poderia parar para velejar um pouco.
Ainda no estado do Rio, a tentação do Ikara era parar na Lagoa de Araruama, na velha Guanabara ou mesmo na Rodrigo de Freitas para botar vento nas velas.
Lagoa de Araruama - RJ.
Era noite e tinha muita água, ou melhor, muito asfalto pela frente e segui para São Paulo aonde tem algumas represas, quem sabe lá? Dizia o Ikara...

Represas de Guarapiranga - SP.
Contornei o Paraíba do Sul acompanhando a Dutra e o Ikara só me olhava pensando tipo: “E por aqui, não podemos velejar?”

Ainda na Dutra, a Serra das Araras era meu maior medo. "E se esta bosta chega a tombar do teto pela inclinação da rodovia? ou e se o Golzinho mil não suba a serra?"
Vai ser um perrengue dos brabos, e perrengue o Ikara já tem de sobra no CV: 1 2 3
Atravessamos a serra dirigindo pela terceira faixa, andávamos mais devagar que os caminhões  roda-presa da faixa da direita.
Ao meio dia do dia seguinte estávamos na capital paulista, saboreando um engarrafamento na Tiete.

Deixei Sampa e no Paraná nem olhei para a Babitonga, senão era bem possível parar para dar uma velejadinha.


Obras, engarrafamentos, serras, pedágios e asfalto, muito asfalto. Infelizmente, carros não possuem pilotos automáticos como nos barcos e no início da noite piloto já não aguentava mais. Parei depois de passar Joinvile, num hotel que tinha estacionamento fechado.


Um banho quente, um bom café da manhã e uma ótima e confortável noite de sono reanimam qualquer velejador.



Bueno, agora era como "jacavalo": Larga as rédeas que ele ruma para casa!! 
Mas antes de chegar ao RS, ainda cogitamos a Lagoa da Conceição em Floripa.

Lagoa da Conceição - SC.

Cruzamos Laguna e depois o Mampituba, pronto: Não é que chegamos no RS, Ikara?
Lagoa dos Quadros, Lagoa do Casamento, Lagoa Negra... não faltavam tentações, mas queríamos mesmo era a Lagoa dos Patos.



Deixamos POA e o Ikara quase saltou de cima do carro para as águas do Guaíba quando cruzamos a ponte. 

Continuávamos percorrendo a BR 116, mas minhas idéias já navegavam as barrentas águas da Lagoa dos Patos que percorriam nosso mesmo rumo, paralelas a nós.

Itapuã, Guaíba, Barra do Ribeiro, Tapes, Arambaré, São Lourenço do Sul... a cada quilometro para o Sul fomos adiando as aventuras para chegar logo e encontrar a fita azul na Praia do Laranjal.

   
Figueira na praia do Laranjal - RS.

A noite caiu e chegávamos ao nosso destino. Depois de 2020 km “velejados”. O Ikara chegava as margens da Lagoa dos Patos. De tão cansado, deixei o Ikara de castigo sobre o teto do carro e fui dormir. Sonhando com as novas aventuras que este barquinho vai aprontar em seu novo quintal de casa...





A Grande Viagem - RJRG

Preparando o dingue para a viagem

Quem tem um barco sabe, seja lá o tamanho que ele tenha, ele é um pedaço de seu capitão. 

Abandonar seu barco jamais é opção para o capitão até que se completem todas as derrotas pactuadas entre eles. E, mais uma vez, não seria opção eu deixá-lo.

Pode parecer loucura para um leigo ou para alguém que prefere ficar sentado no sofá entender o que fiz, mas haviam muitas motivações.

Minha bússola apontava para o Sul, este sempre foi meu norte e agora, que as amarras já estavam frouxas, não havia motivos, nem amores de marinheiro para manter o Ikara aprisionado ao pé da amendoeira.

Das rotas possíveis, tive que escolher a mais curta e mais seca... Não havia tempo para inventos e abalanças. Não por isso, esta façanha seria menos aventurosa e proveitosa.

Minhas opções eram: ou uma carreta rodoviária, ou levar o dingue no teto do carro. Mas não me agradava muito rebocar o barco e ainda assim o preço de uma carreta rodoviária ajudou muito na escolha.

Muito ouvi que o dingue podia ser levado no teto do carro utilizando um “Rack”. Mas uma coisa é dizer que dá, outra é colocar pra cima. Ainda mais que googleando não encontrei muita coisa.

Meu primeiro passo foi então saber se era permitido por lei fazer isto.

A Resolução 577/81  do CONTRAN “dispõe sobre o transporte de cargas sobre a carroceria dos veículos classificados nas espécies automóveis e mistos”. E não impõe restrições ao transporte de embarcações, “utilidades indivisíveis”, sobre o teto do veículo, desde que não ponha em risco a estabilidade do veículo e a segurança do transito.

São limitantes para isso:
  • Nenhuma carga, equipamento ou utilidade, poderá impedir a visibilidade do condutor.
  • As dimensões dos equipamentos e utilidades, indivisíveis, não excederão à largura e comprimento total do veículo.

Leia também: RESOLUÇÃO CONTRAN Nº 349, DE 17 DE MAIO DE 2010...

Bom, já que é permitido, o segundo passo era encontrar o suporte apropriado para isso. Para o meu carro, um Gol G5, encontrei na web e comprei, o de aço, da Eqmax, que agüentaria os aprox. 80kg do Ikara.



Seguindo as instruções do fabricante, não há erro. E bom dar uma boa leitura nas recomendações de uso.

Recomenda-se verificar os apertos e a carga a cada 40 km de viagem e toda hora que achar necessário ou suspeitar de alguma coisa.

Mas antes de cair na estrada, uma revisão no golzinho caia muito bem, principalmente para verificar as condições dos freios e pneus.







Também mandei instalar uma bolota para reboque no carro para servir de ponto de amarração (pois não há nenhum no Gol) e também para um possível plano B com uma carreta rodoviária.

Pronto, a L200, ou melhor, o guerreiro Gol 1.0 off-road adventure megapower estava pronto para a indiada, era só fazer o teste com o Ikara.

Na noite de 20 de agosto de 2014 o Ikara tinha seus últimos momentos ao pé da amendoeira da Imboassica antes de partir para margens mais distantes.



Na manha seguinte, com a ajuda do proeiro ninja e seu ajudante grego, colocamos o dingue no rack sobre a L200 e demos a volta na quadra. Este foi o teste.

Tudo certo, só amarrar.

Para garantir a boa amarração, comprei 60 m de cabo e um par de cintas de carga com catraca, as quais suportam 681 kg, não tendo nenhum perigo de escapar.




Algumas reduções depois.... E está pealado o bicho!!

As amarras soltas e o barco trapeado no carro, agora as águas cariocas já pareciam ter passado embaixo do casco.


Pé na tábua...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Descansando na bonança embaixo da amendoeira...






Quem sabe, pensando a respeito: Hastag Sal #9




sábado, 26 de abril de 2014

Cmte. Chatopacarai


Temas de hj:
  • Tainha a bordo
  • Vento muito bom. Muita rajada. 
  • Várias encalhadas...
  • Teste da âncora, perfeito! – Mate e nesfit a bordo!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Será q a âncora ancora?

Bonita ficou, vamos ver se funciona.




 Agora dá até pra tomar mate no Ikara!





On the road again!


De vento em popa...