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sábado, 27 de junho de 2015

Mestres



Ontem, dia 25 de Junho, peguei pela primeira vez em minhas mãos um diploma de mestre! O papel timbrado e com firma reconhecida garantia o reconhecimento por dias e dias de trabalho. Um trabalho árduo! Que custara abdicação de muitos outros momentos de convívio com amigos e com a família…


Este mesmo papel, com uma gramatura espessa e rugosidades incomuns, me fez refletir. Enquanto passava minhas mãos pelo papel suave, pensei em outros mestres que conheci na vida. Sem distinção de mérito.
Meu irmão, Felipe, conquistou seu título acadêmico meses atrás. Mas, nunca peguei seu diploma nas mãos. Então recordei que ele é mestre também em outro métier: em navegação.
Mestre num sentido amplo, pois ele tem arrais ou outra licença para embarcações. O que fazia com que sempre brincássemos que ele já era mestre, mesmo antes do curso de mestrado. E também por que me ensinou a velejar.
Não que eu saiba velejar. Mas, sim que eu tenha aprendido o quanto estamos próximos da Lagoa dos Patos. O quanto estar aqui, no litoral sul representa. Conversar sobre a Ilha da Feitoria, o calado da Lagoa, a Sarangonha… Em fins, sobre este mundo náutico!
Neste dia, que agora parece tão longe, lembrei do tempo em que estava no colégio. Quando comecei a ler bastante. Queria poder comprar…um barco! Não para pescar, ou ganhar regatas, nem cruzar oceanos. E sim para poder ler. Como li outro dia: “ler é viajar”.
A primeira vez que eu “ia” velejar no Ikara, por sinal, eu viajei. Fui do Rio de Janeiro até Macaé pra velejar! Mas a velejada ficou na história! Assim como os mates do João Cardoso. Tinham roubado o Dingue. A moral da história é que só uns dois anos depois fui velejar. Já em Pelotas, ou melhor, na Lagoa dos Patos.
Mas como a história é sobre os mestres, vou contar outra! Hoje transpusemos o “Quadrado”. Eu explico. Quadrado é o nome de um lugar em Pelotas. Que muitas pessoas, apesar de morarem aqui não conhecem. Nossa cultura não é aquática. Mesmo que idolatremos as Nereidas que emergem no chafariz da praça Cel. Pedro Osório!


Bom. O tal quadrado(que não é quadrado, e sim retangular) é uma espécie de atracadouro, que se abre para o Canal de São Gonçalo. E neste dia fomos andar por lá. Porém, resolvemos seguir até um lugar que fica bem próximo. Na verdade adjacente. Separado quase que propositalmente por um muro, depois percebi, fica o Clube Náutico Gaúcho.



Conheci mais um mestre. Seu Adão. Um senhor de uns setenta e poucos anos. Baixo, de olhos claros, metido atrás de óculos grandes. Um mestre. Se reconhece ao vê-lo. A touca também denuncia que é um homem do mar. Neste caso do Canal. È um mestre, mesmo que ele se diga timoneiro.
Sua fala calma, serena, demonstra seu métier: -Esse vento não é daqui! Não sei o que ele faz aí! Vento Nordeste, nessa época do ano. No inverno não venta assim! É melhor pra nós que somos do remo. Sentença de mestre!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Essa é de fé!!

Quando ela começou a andar pra lá e pra cá dizendo que tinha que fazer isso, fazer aquilo, aqui, acolá..

Eu sabia que ela queria ir junto, conheço minha mãe.

Mas eu não posso ir por isso... Não posso por aquilo...

Mãe, eu “vou indo”, vou montando devagar. Tu leva a Zica, faz tuas coisas e quando tu voltar eu te pego na margem, feito?!

👍 Fechado!! Para uma Supermãe seria moleza!

Cada um pro seu lado, cada encontrando suas soluções. 

Eu parti para as minhas. Fiz o SATD - sistema autônomo de transporte de dingue e levei ele a 10 km/h até a rampa. 


Na rampa, sempre tem um mané com seu carro parado bem em cima dela.

Ninguém respeita a área de esportes náuticos, depois reclamam.

Parei do lado e comecei os trabalhos. 

Há um tempo sem encilhar o Ikara, demorei um tanto para organizar o dingue. Tempo suficiente para os manés vazarem da nossa bela rampa... 


Devagar coloquei o barco na água e retornei ele para a areia para poder fazer as amarrações. 

Fiz tudo na maior calma e paz.

Era dia de estreiar a vela 835, recuperada. Icei ela e notei que esqueci as talas. Baixei tudo e quando fui colocá-las... 

O conserto da vela ficou bem bacana, mas eles fecharam os porta-talas e as talas da 66 não serviram. 

Vai sem tala mesmo... 


Sobe mastro e amarra. Eu amarrava a escota e olhava para a estrada para ver se realmente a proeira vinha. 

Amarrei o traveler e olhei de novo. Com o barco pronto, deu uma última espiada para a terra e não vendo nada voltei os olhos para a lagoa e fui entrando com ele nas águas doces. 

Dei um grande impulso na margem e entrei no cockpit. 



Ajustei a vela e me virei para a popa para fixar o cabo do leme no mordedor da cana.

Meu olhos passaram rapidamente pela margem, mas foi tempo suficientes para ver um carro "vindo a mil". 

Como olhei rápido e fui ajustar a bolina, apenas a imagem do carro levantando poeira na estrada ficou na minha cabeça. Mesmo olhando para a proa abri um sorriso e pensei: meia volta Ikara...

Disse a proeira que me viu saindo e socou a mão na buzina Hahahah 
 
Essa é a Tia Cristina!!

Nem ouvi, mas o pisca alerta ligado não deixou dúvidas...

Que bom que ela veio!!!

Dei meia volta e imbiquei de proa na margem, facilitando o embarque da proeira que nem precisou molhar os tênis para subir no dingue.



Assumida a posição, Vambora!!!



Que bom que ela veio!!
O dia estava um espetáculo e foi ficando cada vez melhor com o pôr do sol. 



Rumamos para o trapiche, queria que ela visse como é ver do mar para a terra. 



...

Passou o trapiche, vamos para a barra. Nunca tinha ido, seria bacana para os dois. 

Rumo a 01!! Bóia vermelha na entrada da barra. 

Não queria que ficasse tarde para não desmontar o Dingue no escuro, então o plano era "montar" a 01 e retornar pra rampa. 

Bueno, foi o que fizemos!!

(Vídeo)

Um pouco sem continuidade, mas completamos o feito. Agora voltar para a rampa. 

E demorou para atravessar toda pela do laranjal... Mas o visual valeu muito a pena!


Pelo visual e pela parceria, eu não podia querer mais para um dia frio e sol deste inverno na lagoa.

Ps:

Quando cheguei em casa mesmo antes de ver as fotos já me avisaram que eu parecia "um desses caras, marinheiros, pescadores que a gente vê por aí, tá igual!!"

O que para alguns soaria estranho, para mim me deu muito orgulho!!




sábado, 6 de junho de 2015

Vela 835 - Corte & Costura

Não é qualquer vela que sobrevive a um naufrágio.



Só quando a abri na veleria que lembrei o estrago. 



Em sua maior parte foi descosturada, mas havia alguns pequenos rasgos.

  

Aproveitei e pedi para fechar um porta-tala que estava aberto.


R$290: Salgadinho, mas está valendo já que eu não quis encarar esta...