Ontem, dia 25 de Junho, peguei pela primeira vez em minhas mãos um diploma de mestre! O papel timbrado e com firma reconhecida garantia o reconhecimento por dias e dias de trabalho. Um trabalho árduo! Que custara abdicação de muitos outros momentos de convívio com amigos e com a família…
Este mesmo papel, com uma gramatura espessa e rugosidades incomuns, me fez refletir. Enquanto passava minhas mãos pelo papel suave, pensei em outros mestres que conheci na vida. Sem distinção de mérito.
Meu irmão, Felipe, conquistou seu título acadêmico meses atrás. Mas, nunca peguei seu diploma nas mãos. Então recordei que ele é mestre também em outro métier: em navegação.
Mestre num sentido amplo, pois ele tem arrais ou outra licença para embarcações. O que fazia com que sempre brincássemos que ele já era mestre, mesmo antes do curso de mestrado. E também por que me ensinou a velejar.
Não que eu saiba velejar. Mas, sim que eu tenha aprendido o quanto estamos próximos da Lagoa dos Patos. O quanto estar aqui, no litoral sul representa. Conversar sobre a Ilha da Feitoria, o calado da Lagoa, a Sarangonha… Em fins, sobre este mundo náutico!
Neste dia, que agora parece tão longe, lembrei do tempo em que estava no colégio. Quando comecei a ler bastante. Queria poder comprar…um barco! Não para pescar, ou ganhar regatas, nem cruzar oceanos. E sim para poder ler. Como li outro dia: “ler é viajar”.
A primeira vez que eu “ia” velejar no Ikara, por sinal, eu viajei. Fui do Rio de Janeiro até Macaé pra velejar! Mas a velejada ficou na história! Assim como os mates do João Cardoso. Tinham roubado o Dingue. A moral da história é que só uns dois anos depois fui velejar. Já em Pelotas, ou melhor, na Lagoa dos Patos.
Mas como a história é sobre os mestres, vou contar outra! Hoje transpusemos o “Quadrado”. Eu explico. Quadrado é o nome de um lugar em Pelotas. Que muitas pessoas, apesar de morarem aqui não conhecem. Nossa cultura não é aquática. Mesmo que idolatremos as Nereidas que emergem no chafariz da praça Cel. Pedro Osório!
Bom. O tal quadrado(que não é quadrado, e sim retangular) é uma espécie de atracadouro, que se abre para o Canal de São Gonçalo. E neste dia fomos andar por lá. Porém, resolvemos seguir até um lugar que fica bem próximo. Na verdade adjacente. Separado quase que propositalmente por um muro, depois percebi, fica o Clube Náutico Gaúcho.
Conheci mais um mestre. Seu Adão. Um senhor de uns setenta e poucos anos. Baixo, de olhos claros, metido atrás de óculos grandes. Um mestre. Se reconhece ao vê-lo. A touca também denuncia que é um homem do mar. Neste caso do Canal. È um mestre, mesmo que ele se diga timoneiro.
Sua fala calma, serena, demonstra seu métier: -Esse vento não é daqui! Não sei o que ele faz aí! Vento Nordeste, nessa época do ano. No inverno não venta assim! É melhor pra nós que somos do remo. Sentença de mestre!




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