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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A Grande Viagem - RJRG

Preparando o dingue para a viagem

Quem tem um barco sabe, seja lá o tamanho que ele tenha, ele é um pedaço de seu capitão. 

Abandonar seu barco jamais é opção para o capitão até que se completem todas as derrotas pactuadas entre eles. E, mais uma vez, não seria opção eu deixá-lo.

Pode parecer loucura para um leigo ou para alguém que prefere ficar sentado no sofá entender o que fiz, mas haviam muitas motivações.

Minha bússola apontava para o Sul, este sempre foi meu norte e agora, que as amarras já estavam frouxas, não havia motivos, nem amores de marinheiro para manter o Ikara aprisionado ao pé da amendoeira.

Das rotas possíveis, tive que escolher a mais curta e mais seca... Não havia tempo para inventos e abalanças. Não por isso, esta façanha seria menos aventurosa e proveitosa.

Minhas opções eram: ou uma carreta rodoviária, ou levar o dingue no teto do carro. Mas não me agradava muito rebocar o barco e ainda assim o preço de uma carreta rodoviária ajudou muito na escolha.

Muito ouvi que o dingue podia ser levado no teto do carro utilizando um “Rack”. Mas uma coisa é dizer que dá, outra é colocar pra cima. Ainda mais que googleando não encontrei muita coisa.

Meu primeiro passo foi então saber se era permitido por lei fazer isto.

A Resolução 577/81  do CONTRAN “dispõe sobre o transporte de cargas sobre a carroceria dos veículos classificados nas espécies automóveis e mistos”. E não impõe restrições ao transporte de embarcações, “utilidades indivisíveis”, sobre o teto do veículo, desde que não ponha em risco a estabilidade do veículo e a segurança do transito.

São limitantes para isso:
  • Nenhuma carga, equipamento ou utilidade, poderá impedir a visibilidade do condutor.
  • As dimensões dos equipamentos e utilidades, indivisíveis, não excederão à largura e comprimento total do veículo.

Leia também: RESOLUÇÃO CONTRAN Nº 349, DE 17 DE MAIO DE 2010...

Bom, já que é permitido, o segundo passo era encontrar o suporte apropriado para isso. Para o meu carro, um Gol G5, encontrei na web e comprei, o de aço, da Eqmax, que agüentaria os aprox. 80kg do Ikara.



Seguindo as instruções do fabricante, não há erro. E bom dar uma boa leitura nas recomendações de uso.

Recomenda-se verificar os apertos e a carga a cada 40 km de viagem e toda hora que achar necessário ou suspeitar de alguma coisa.

Mas antes de cair na estrada, uma revisão no golzinho caia muito bem, principalmente para verificar as condições dos freios e pneus.







Também mandei instalar uma bolota para reboque no carro para servir de ponto de amarração (pois não há nenhum no Gol) e também para um possível plano B com uma carreta rodoviária.

Pronto, a L200, ou melhor, o guerreiro Gol 1.0 off-road adventure megapower estava pronto para a indiada, era só fazer o teste com o Ikara.

Na noite de 20 de agosto de 2014 o Ikara tinha seus últimos momentos ao pé da amendoeira da Imboassica antes de partir para margens mais distantes.



Na manha seguinte, com a ajuda do proeiro ninja e seu ajudante grego, colocamos o dingue no rack sobre a L200 e demos a volta na quadra. Este foi o teste.

Tudo certo, só amarrar.

Para garantir a boa amarração, comprei 60 m de cabo e um par de cintas de carga com catraca, as quais suportam 681 kg, não tendo nenhum perigo de escapar.




Algumas reduções depois.... E está pealado o bicho!!

As amarras soltas e o barco trapeado no carro, agora as águas cariocas já pareciam ter passado embaixo do casco.


Pé na tábua...

2 comentários:

  1. Oi, pretendo fazer o mesmo com meu Dingue, transporta-lo sobre uma Frontier, digo, um pálio 2006. Poderia contar o resultado da viagem, se deu tudo certo, dicas, etc? Um abraço e bons ventos

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    Respostas
    1. Fala Luciano!! Chegamos sãos e salvos ao destino! 2200km de asfalto passaram de baixo do casco ou melhor das rodas da L200...
      Como dicas, eu te diria faz a viagem como se velejasse, gerenciando os riscos, prudente e organizado.
      Pare o carro de tempos em tempo para verificar os cabos e as cintas (que funcionaram muito bem, diga-se de passagem). E tbm a fixação do rack no carro.
      O maior perigo durante a viagem foram os caminhões que cruzavam em sentido contrário. Por isso mantive o carro em 60km\h no max. e toda a vez que cruzava um caminhão, trazia o carro para próximo ao acostamento.
      A única avaria que tive foi com o rack. Tlvz eu não tenha prendido muito firme no começo da viagem e na primeira freiada mais forte senti que o barco correu alguns centímetros para frente. Mas não foi a amarração, foi o rack!! Parei o carro e ajustei melhor. Mas chegou a tirar tinta e estragar a lataria bem no ponto de fixação do rack. Sugiro que se fores usar o mesmo tipo de rack, que coloques uma borracha entre a lataria e o rack, mas cuida para ver se ficará bem fixado, faz uns testes antes (tipo: te pendura no rack e vê se ele move kkkkk sempre faço isso hj em dia hahahah).
      Mas vai lá meu camarada! O dingue é um barco guerreiro e foi feito para navegar, seja na lagoa, no mar ou mesmo na BR101....
      Bons ventos e boa sorte na viagem, depois nos escreve contando como foi a tua experiência!
      Abçs!

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